quarta-feira, 7 de setembro de 2011

INDEPENDÊNCIA DO BRASIL: VERDADES NECESSÁRIAS





O grito do Ipiranga

No início do século XIX, mais precisamente no dia 7 de setembro de 1822, às margens do rio Ipiranga, D. Pedro, o jovem príncipe-regente, inconformado com a condição da política da metrópole em relação ao Brasil, montou em seu cavalo, puxou a espada e erguendo-a, gritou o famoso lema “Independência ou morte!” Foi assim que durante anos nos ensinaram nas escolas. Muito simples se fosse só isso, não é mesmo!

Como sabemos hoje, a história acima não condiz fielmente com o que representou o episódio da nossa independência. Por mais que quisesse, um homem sozinho não teria condições de mudar o contexto político-social de uma nação com um mero gesto de indignação. Na verdade, a independência foi o resultado de uma série de acontecimentos anteriores, bem como de determinadas mudanças ocorridas na sociedade brasileira colonial. Dentre elas um conjunto de condições e forças atuantes (grandes comerciantes, proprietários de terra, camadas médias da população, etc.), cada uma lutando por seus interesses. A ruptura que se deu em 1822 foi, portanto, a conclusão de um processo histórico.
Dragões da Independência
 Entretanto, devemos lembrar também de um elemento externo que influenciou decisivamente a independência: as guerras napoleônicas e o bloqueio continental à Inglaterra. Acontecimentos que precipitaram a transferência da corte portuguesa para o Brasil (dado o pavor de Portugal ante a possibilidade da invasão do país pelas tropas de Napoleão) e a dissolução do monopólio do comércio com a metrópole, significando o fim do Pacto Colonial (já em 1808, com a chegada da Família Real, ou seja, bem antes da proclamação da independência).

Bandeira do Império
Durante muitas décadas, em nosso país, o governo, por meio dos livros didáticos e da educação formal, construiu uma imagem muito fantasiosa de D. Pedro, o príncipe português, denominando-o de ‘heroi da independência’, demarcando o seu ato como um gesto de bondade para com o povo brasileiro, emancipando-o do domínio dos colonizadores. No imaginário que se buscou sedimentar, D. Pedro agira quase que sozinho, movido por sua própria vontade libertária, opondo-se inclusive aos interesses de sua terra natal. 

Como já frisamos acima, tal empreendimento é impossível em termos sociais e políticos. Contudo, é bom ressaltar, embora amparado por setores importantes da sociedade, não houve apoio ou participação popular no processo de independência encabeçado pelo príncipe-regente. As elites brasileiras, por sinal, tinham pavor às revoltas populares. Por isso mesmo evitavam todas as formas de envolvimento do povo em questões políticas. O que explica o fato de terem escolhido o príncipe português (e não um brasileiro) para ser o condutor da emancipação nacional. Desse modo é que, sem maiores alardes, a independência foi preparada e executada. Sem nenhuma participação popular.

Por fim, apenas a título de curiosidade, um dado interessante, apontado por historiadores, diz respeito ao fato de que logo após a independência (nos anos seguintes) ninguém costumava comemorar a data do 7 de setembro. Os festejos oficiais ocorriam no dia 12 de outubro, data da aclamação de D. Pedro imperador. O 7 de setembro só viria a ser instituído em 1830, pelos opositores liberais do imperador, como forma de lembrar o grito do Ipiranga.

Rogério Henrique C. Rocha



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